26.10.10

Tempo


Acho que não existe na vida nada mais inconstante, imprevisível e subjectivo do que o tempo. Não o tempo em si mesmo, mas a ansiedade em que nos deixa quando passa por nós a correr, a tranquilidade quando se demora um pouco mais a contemplar-nos ou o desolamento quando se limita a existir, ignorando-nos completamente.
Ontem, imaginei e construí um quarto cheio de flores e cores, enchi armários e gavetas de roupas pequeninas, comprei brinquedos, inventei histórias e canções, percebi como era possível o mundo inteiro estar contido dentro de uma barriga redonda. Hoje, acordei com uma voz que me disse:
- Mamã, tens de me comprar um soutien!

Ontem? Hoje? Quanto tempo passou?
Muito, talvez... o meu colo já parece pequeno para um corpo que se tornou tão grande.
Pouco, tenho a certeza... tudo começou há pouquinho, há uns segundos atrás, acho que só tive tempo de pestanejar.

3 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Olá! Espreitei, li a correr, reli, sonhei e delirei a ler a MF.
    Fiquei perplexa e a perplexidade provoca-me quase sp delírio. Estou delirante até agora.Não sei se dormi umas horas,se andei em devaneio.Mil ideias e intuições me ocorrem, num frenesim meio louco e confuso... discernimentos acerca de cada objecto, de cada cor, de cada texto,de cada frase descoberta.Adorei a MF, eu a diria:cândida,emocionante,terna,generosa,
    profunda. Saudável...florida e colorida.A MF apresenta as cores de forma harmoniosa, usa alguns tons vivos,que aparecem delicadamente,combinados no todo, coerentemente «escolhido».Mas
    desculpa a presunção... eu não consigo abstrair-me de quem a criou.Também tenho presente a sua enorme capacidade de ser leve, suave, serena. A que me faz sentir tranquilidade e cuja ausência me faz sentir um vazio.E pensando nela,eu atrevo-me a perguntar:« Flor de Inverno»,não sentes premência de outro heterólogo? Onde guardas o contido?AS mágoas,os ressentimentos, as promessas perdidas,a expectativa? Porra,isto não foi pensado.Isto foi uma rasteira.Estou furiosa... acabo sempre a falar de mim.E nesse campo amiga,a minha MF acomoda-se nos tons pastel, na tentativa de não se denunciar,não saindo assim da mediocridade.Podia ainda dizer-te que tenho uma atracção fatal pela cor preta e uma avidez expectante pela branca.Mas não me sei mexer entre as duas, sem perder o norte.Tenho medo das cores... Percebo agora que é por não saber fazer coisas fantásticas com elas como a MF.Obrigada pelo privilégio de partilhares comigo personagem tão encantadora como inspiradora(de textos e textos que escrevi inspirada nos teus).Sou louca, doida varrida.Se adorasse alguém,terminava escrevendo:Adoro-te.Beijo. Paula Palha

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  3. Estou sem palavras...
    Tudo o que escreves e lindo e profundo...
    Gosto muito!
    Bjo

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