A maior parte das coisas que me encantam são redondas. As framboesas e as cerejas são redondas. A lua cheia é redonda. A barriga das grávidas é redonda. A terra é redonda. Quando os lábios se juntam para um beijo, a boca fica redonda. Os olhos do meu cão são redondos. A bola no recreio dos miúdos é redonda. Até a cabeça das pessoas (com uma ou outra variação) é redonda. Tenho a certeza que a nossa vida seria muito mais interessante e gratificante se fosse redonda ou, pelo menos, se algumas coisas passassem a ser redondas. Se as esquinas fossem redondas, duas pessoas caminhando em direcções opostas não chocariam, mas passariam suavemente uma pela outra. Se os cantos das mesas fossem redondos, as crianças não magoavam a cabeça. Se as conversas fossem redondas, todas as palavras seriam suaves. Para mim, a vida não devia ter rectas intermináveis, declives assustadores, ângulos rectos ou linhas intermitentes. Para mim, a vida devia ser redonda.