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23.12.09

Quando um homem decide recordar...



Naquele dia, sem saber muito bem porquê, apeteceu-lhe procurá-lo na gaveta das recordações. Entre folhas amarrotadas, caixas, bilhetes de cinema e postais antigos, perdido entre todos aqueles pedaços de memória, encontrou-o, embrulhado em papel crepe azul desbotado. O tecido parecia envelhecido, mas a imagem mantinha-se apelativa e colorida; aquela pintura de Klimt sempre fora uma das suas preferidas e a paixão daquele Beijo parecia ainda tão real, tão viva... Abriu-o lentamente e fez deslizar entre os dedos as bolsas plásticas feitas para guardar as fotografias. Estava vazio... completamente vazio. Sentou-se na cama e permitiu a si próprio mergulhar uma vez mais naquele mar de recordações. Folheava cada página vazia do álbum e ia recordando todos os momentos, revivendo todas as sensações e emoções, todos aqueles instantes que nenhuma máquina fotográfica conseguiu capturar, que nenhum álbum conseguiu guardar... a melhor máquina fotográfica é o olhar e o melhor álbum de fotografias aquele que existe escondido na memória de um homem que, um dia, decide recordar.